Como é feito o diagnóstico clínico da artrose de quadril?

  Como é feito o diagnóstico clínico da artrose de quadril?



 O diagnóstico clínico da osteoartrose (OA) do quadril é baseado em uma combinação de anamnese detalhada, exame físico e, se necessário, exames complementares de imagem. Aqui estão os passos principais:


1. Anamnese:

  • Sintomas principais:

    • Dor na virilha (principal localização), podendo irradiar para a coxa, joelho ou nádegas.

    • Rigidez articular, principalmente pela manhã ou após períodos de inatividade.

    • Limitação funcional, como dificuldade para andar, subir escadas ou vestir-se.

  • Fatores agravantes e aliviadores:

    • A dor piora com atividades físicas e melhora com repouso nos estágios iniciais.

    • Progressivamente, a dor pode ocorrer até mesmo em repouso.

  • Histórico médico:

    • Lesões prévias no quadril, como luxações ou fraturas.

    • Presença de doenças inflamatórias articulares (ex.: artrite reumatoide).

    • Fatores de risco: obesidade, idade avançada, histórico familiar de artrose.


2. Exame Físico:

O exame clínico é crucial para avaliar sinais e limitações funcionais.

a) Inspeção:

  • Observação da marcha (claudicação ou padrão antálgico).

  • Deformidades, atrofias musculares ou assimetria entre os membros inferiores.

b) Palpação:

  • Sensibilidade à palpação na região anterior do quadril (próxima à virilha).

  • Dor ou desconforto ao pressionar sobre a cápsula articular.

c) Testes de Amplitude de Movimento (ADM):

  • Limitação de movimento:

    • Redução da rotação interna (primeiro movimento afetado).

    • Diminuição na flexão, extensão e abdução.

  • Testes provocativos:

    • Teste de Patrick ou FABER: O paciente em posição de "4" com a perna cruzada. Dor na virilha sugere comprometimento da articulação.

    • Teste de FADIR: Flexão, adução e rotação interna do quadril provocam dor na virilha.

    • Teste de Stinchfield: Resistência na elevação ativa do membro provoca dor no quadril.

d) Avaliação da Marcha:

  • Claudicação (manqueira) ou padrão de marcha característico, como inclinação do tronco devido à dor.

e) Força Muscular:

  • Avaliação dos músculos ao redor do quadril, especialmente os abdutores, que frequentemente mostram fraqueza.


3. Exames Complementares (Imagem e Laboratório):

Embora o diagnóstico clínico seja geralmente suficiente, os exames de imagem ajudam a confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade.

a) Radiografia Simples (RX):

  • Primeiro exame solicitado.

  • Alterações típicas na artrose de quadril:

    • Redução do espaço articular.

    • Esclerose subcondral (densidade óssea aumentada).

    • Formação de osteófitos (bicos de papagaio).

    • Cistos subcondrais.

    • Deformidade da cabeça femoral (em casos avançados).

b) Ressonância Magnética (RM):

  • Útil em casos iniciais, quando as alterações na radiografia ainda não são visíveis.

  • Avalia tecidos moles, cartilagem e processos inflamatórios associados.

c) Tomografia Computadorizada (TC):

  • Indicado em casos mais complexos ou para planejamento cirúrgico.

  • Detalha melhor as estruturas ósseas.

d) Ultrassonografia:

  • Auxilia na avaliação de derrames articulares ou inflamações em tecidos moles.

e) Exames Laboratoriais:

  • Solicitados se houver suspeita de artrite inflamatória (reumatoide, gota) para descartar outras causas de dor articular:

    • Fator reumatoide, ácido úrico, VHS, PCR.


4. Critérios Clínicos Diagnósticos:

  • Critérios de Altman para Artrose de Quadril (1991):

    • Dor no quadril.

    • Redução da rotação interna (<15 graus) e flexão (<115 graus).

    • Radiografia mostrando alterações típicas (espaço articular reduzido e osteófitos).


O diagnóstico clínico de artrose do quadril combina histórico clínico, sinais no exame físico e, quando necessário, achados de imagem, permitindo uma abordagem eficaz para tratar a condição e melhorar a qualidade de vida do paciente.

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